Práticas de Gestão Ambiental tornam a oficina mecânica referência

Reparadora busca através do descarte correto de peças e resíduos transformar seu negócio em projetos de proteção ao meio ambiente. Nesta matéria, você irá saber como administrar uma oficina sustentável e ainda melhorar a imagem do estabelecimento perante os seus clientes

Por: Redação
Reparador mostra a lavagem das peças com produto biodegradável

Reparador mostra a lavagem das peças com produto biodegradável

Visando contribuir para o gerenciamento dos recursos naturais, diversas empresas têm demonstrado sua preocupação com a sustentabilidade, através de ações de responsabilidade social e ambiental. Gerenciar uma organização de modo ecologicamente correto pode resultar em benefícios consideráveis, tais como: redução de custos, incentivos para a inovação, oportunidades de novos negócios, melhorias na qualidade do produto, destaque na imagem da empresa e maior competitividade no mercado. Diante do cenário organizacional moderno e promissor, o proprietário da Peghasus Powered Motors, Silvio Ricardo Candido, adotou um sistema de gestão ambiental e empresarial que vai muito além da reparação.

Fundada em 1985, a oficina é um exemplo quando o assunto são práticas e métodos administrativos para reduzir ao máximo o impacto ambiental gerado pelas atividades dentro das mecânicas. Silvio relata que no início a Peghasus era um estabelecimento simples, com apenas 50 metros quadrados, um macaco jacaré e uma caixa de ferramenta normal.
Após ter realizado alguns cursos na Escola Senai-Ipiranga, o reparador teve a ideia de transformar sua oficina em um negócio sustentável e de referência no mercado.

“O sistema de gerenciamento ambiental me fascinou, pois engloba a organização de diversas áreas da empresa. Decidi investir e desenvolver o processo na minha oficina. Hoje, temos dois andares de serviços, com espaços bem sinalizados, realizamos mecânica em geral, serviços especializados em airbag e ABS para carros novos. Em média, a Peghasus atende 120 carros/mês”, ressalta Silvio.

O descarte correto de embalagens

Segundo o reparador, para ter o controle de gestão ambiental dentro de uma oficina é preciso atender os seguintes critérios: utilização de produtos biodegradáveis para lavar peças e o piso da oficina; uso de toalhas retornáveis substituindo a estopa; instalação da caixa separadora de areia, óleo e água – atendendo à Resolução Conama 430/11; as baterias usadas são encaminhadas para os seus fabricantes atendendo à Resolução Comana 401/08; o óleo lubrificante usado é enviado para a indústria do refino através das empresas de coleta credenciadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo), atendendo à Resolução Conama 362/05; os demais resíduos gerados na oficina são recolhidos por empresas licenciadas pelo órgão ambiental do Estado de São Paulo, a Cetesb. Atento às leis que envolvem o meio ambiente, Silvio comenta sobre a PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei nº 12.305/10 regulamentada pelo decreto nº 7.404/10, que trata da logística reversa e da responsabilidade compartilhada e atribui ao importador e ao fabricante a responsabilidade sobre a destinação final e ambientalmente correta dos produtos após o consumo. “Na prática, isso já acontece com as baterias automotivas, pneus, embalagens plásticas de óleo lubrificante e o óleo lubrificante usado. Os demais itens dependem de assinaturas de acordos setoriais que são coordenados pelo governo”, diz Silvio.

Certificação
Para o reparador, a certificação da oficina é muito importante e deve ser obtida através do Selo Sindirepa de Sustentabilidade (SSS). “O Selo é um projeto executivo da política do Sindirepa para o fomento à competitividade sustentável, sendo disponibilizado às empresas de reparação associadas. Ele [selo] foi desenvolvido em parceria com o Sebrae-SP, e vem para completar a Lei representando a legalidade ambiental dos serviços de uma oficina”, explica Silvio, que também faz parte da diretoria do Sindirepa-SP.

O empresário informa que através de um serviço de consultoria, o proprietário da oficina recebe um relatório completo da atual situação da empresa em três grupos de requisitos: Legalidade, Eficiência e Excelência. “O SSS é dividido em três graus de evolução (I, II e III), não é necessário que a empresa atenda de imediato a todos os 60 requisitos para ser certificada, mas precisará alcançar uma quantidade mínima de cada grupo. Após este processo, a oficina conquista um planejamento de gestão ambiental que deverá ser seguido para garantir a qualidade dos serviços. Caso a reparadora venha a ser reprovada durante o período da avaliação, a mesma tem a chance de se estruturar e buscar a certificação novamente”, finaliza Silvio.

“Não basta somente adquirir o programa. O gestor precisa orientar sua equipe de reparadores, estudar como o projeto ambiental será desenvolvido, investir em estrutura e equipamento”