Capítulo 3: O Osciloscópio como instrumento de medição alternativo

Por: Redação

O instrumento de medição mais adequado para a realização de diagnósticos nos veí­culos de hoje, devido a sua alta complexidade eletrônica, é o osciloscópio. Com o osciloscópio, além de medir os sinais e obter resultados em forma numérica como no multímetro, podemos visualizá-los graficamente ao longo do tempo de medição e observar como se comportam. Basicamente, a maioria dos osciloscópios de hoje permitem capturar ondas complexas de variação da tensão no tempo, além de disponibilizar funções para congelar, salvar e imprimir estas ondas.

Existem sinais de alta complexidade que variam rapidamente com o tempo de uma forma não-cíclica tal que, somente com a utilização de um multímetro seria inviável a análise dos mesmos, por exemplo, os sinais do sensor de rotação do motor, de atuação nas válvulas injetoras, sensor de fase, sonda lambda etc. Para estes tipos de sinais o instrumento de medição mais adequado para uma boa precisão no diagnóstico é o osciloscópio.

Contudo, para realizar uma medição com um osciloscópio é necessário saber configurar os parâmetros de medição, tarefa esta um pouco mais complexa do que aquela realizada em um multímetro automotivo convencional, pois o osciloscópio tem vários parâmetros que devem ser ajustados para que uma boa medição possa ser realizada.

ΔV indica o quanto vale cada divisão das linhas horizontais da tela do osciloscópio e Δt indica o quanto vale a base de tempo momentânea demarcada pelas linhas verticais. Neste exemplo cada divisão nas linhas horizontais vale 2V e nas linhas verticais vale 10ms. Com isso, conclui-se que a amplitude desse sinal é de 4V, pois o sinal percorre duas linhas horizontais. Já a duração de cada ciclo desse sinal é de 20ms

Caso o técnico esteja iniciando uma medição e não tenha nenhuma ideia da configuração que deve ser ajustada no osciloscópio para capturar um determinado sinal, a tecla auto scale (indicada pelo retângulo verde na ilustração ao lado) pode auxiliá-lo. Esta tecla executa uma configuração automática da amplitude, base de tempo e disparo trigger regulados na tela. Dessa forma, será possível ver um sinal válido na tela mesmo sem muita noção de como ajustar o osciloscópio, podendo melhorar a visualização com configurações mais simples posteriormente, através dos botões de ajuste apresentados na figura ao lado.

Este osciloscópio utilizado como exemplo possui 4 canais, ou seja, possibilita a medição de 4 sinais simultaneamente. Nele, podem ser efetuados alguns ajustes, tais como: retângulo azul, possibilita a movimentação de subida e descida dos sinais pela tela do osciloscópio; retângulo vermelho, possibilita o ajuste de amplitude de cada canal, ou seja, a quantos Volts equivalerá o espaço entre duas linhas na horizontal; retângulo laranja, possibilita o ajuste do trigger que atualiza a imagem somente quando um sinal passar por aquela amplitude ajustada pelo seletor do trigger (como analogia pode-se pensar na lâmpada estroboscópica); retângulo amarelo, ajusta a base de tempo da medição que está sendo realizada, ou seja, quanto tempo irá equivaler a cada um dos espaços entre duas linhas na vertical; retângulo roxo, quando pressionada esta tecla a função de congelamento da tela é ativada e a tela é fixada com os sinais nela presentes

Saber parametrizar o osciloscópio para iniciar uma medição de sinais eletrônicos é o início da utilização de um equipamento como este. Contudo, além dessa expertise o técnico ainda deve saber interpretar um sinal capturado em sua tela. Existem basicamente dois pontos importantes em que o reparador deve se atentar em um oscilograma: a base de tempo e a amplitude. Estes valores sempre estão indicadas na tela do próprio osciloscópio.