Capítulo 1: Histórico dos Sistemas de Segurança Veicular no Brasil e no Mundo

Por: Redação

Considerando a necessidade de aperfeiçoar e atualizar os requisitos de segurança para os veículos automotores nacionais e importados; garantir a segurança dos condutores e passageiros dos veículos; reduzir de maneira expressiva os danos causados ao condutor e passageiro do banco dianteiro, nos casos de colisão frontal; e tratando-se de um equipamento suplementar de segurança passiva que deve ser usado em conjunto com o cinto de segurança. O Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN estabeleceu com a atribuição da resolução nº 311, que a partir de 01 de janeiro de 2014 houvesse a obrigatoriedade da instalação de airbags na posição frontal para o condutor e passageiro do assento dianteiro em todos os veículos novos produzidos e saídos de fábrica, das categorias M1 (veículos projetados para transporte de passageiros com capacidade menor que 8 assentos) e N1 (veículos projetados para transporte de cargas que não ultrapassem o peso de 3,5 toneladas), nacionais e importados

Os sistemas de segurança ativa de um veículo são todos aqueles que agem em prol de evitar um acidente, contribuindo preventivamente para a segurança do tráfego. Pode-se citar como exemplo destes sistemas: bancos que permitem dirigir sem fadiga, boa visibilidade, sistema adequado de climatização, o ABS (Anti-lock Breaking System) entre outros que variam de acordo com o veículo e pista que se está trafegando.

Porém, apesar de boas ideias em termos de segurança ativa surgirem, especialmente nos últimos anos, nunca se poderá evitar completamente a ocorrência de acidentes. Esta é a razão pela qual os sistemas de segurança passiva se tornam extremamente importantes no desenvolvimento de um veículo, e foi pensando na proteção dos ocupantes que as pesquisas neste nicho foram intensificadas nos últimos anos.

Um primeiro passo nessa direção foi a patente em 1903 do primeiro cinto de segurança que era colocado cruzado contra os ombros. Contudo, somente em 1957 o primeiro cinto de segurança foi incorporado em um automóvel, fixando os ocupantes dianteiros em suas regiões pélvicas, porém ainda permitindo a projeção do tronco para frente no momento de uma colisão frontal. Este problema foi parcialmente solucionado com a invenção do cinto de três pontas por Nils Bohlin, em 1958, e a aplicação desse tipo de cinto em veículos a partir de 1959.

Para aprimorar ainda mais os sistemas de segurança passiva, foi desenvolvido os encostos de cabeça para proteger os ocupantes do “chicoteamento” da cabeça, causando lesões na coluna cervical em momentos de colisões traseiras. Este sistema ficou mais eficaz com a introdução do enrolador automático dos cintos de segurança, ajustando o cinto ao corpo dos ocupantes.

Contudo, ainda havia a necessidade de se aumentar a segurança dos ocupantes dentro do veículo e para isso foi desenvolvido na década de 50, na Alemanha, um dispositivo que inflava no momento de uma colisão atenuando e amortecendo o impacto dos ocupantes dianteiros com partes internas do habitáculo do veículo. Este dispositivo foi chamado de air bag e foi aplicado pela primeira vez em veículos fabricados nos Estados Unidos, alterando o formato dos volantes e painéis de instrumentos dianteiros como pode ser visualizado na ilustração a seguir.

Foi nos Estados Unidos também que surgiu a norma 208 do NHTSA –National Highway Traffic Safety Administration (Administração Nacional de Segurança do Tráfego Rodoviário) de 1984, que previu a implantação gradual do sistema de airbag frontal para motorista e passageiro nos automóveis de 1987 a 1990, sendo implementação obrigatória em todos os veículos (fabricados e importados nos Estados Unidos) a partir desta data.

Após isso foram desenvolvidos diversos outros sistemas visando a segurança passiva dos ocupantes, foram alguns destes: airbags laterais de cabeça (tipo “cortina”), airbags laterais para região do tórax (instalados geralmente nas estruturas dos bancos), airbags para joelhos dos ocupantes dianteiros e pré-tensionadores dos cintos de segurança.

No Brasil, somente em 2009 foi sancionada a lei que também previu a implantação gradual de airbags frontais para condutores e passageiros dianteiros divididos em dois cronogramas, conforme pode ser visualizado na tabela abaixo:

I –Novos projetos de automóveis e veículos deles derivados, nacionais ou importados

Data de implantação

Percentual da produção

01 de janeiro de 2011

10%

01 de janeiro de 2012

30%

01 de janeiro de 2013

100%

II –Automóveis e veículos deles derivados em produção, nacionais ou importados

Data de implantação

Percentual da produção

01 de janeiro de 2010

8%

01 de janeiro de 2011

15%

01 de janeiro de 2012

30%

01 de janeiro de 2013

60%

01 de janeiro de 2014

100%

A legislação brasileira normatizou inicialmente a obrigatoriedade de implementação somente dos air bags frontais, pois pesquisas indicam que pouco mais de 50% das colisões graves que ocorrem diariamente são colisões frontais, sendo as outras colisões laterais, traseiras e em menor parte capotamentos. Uma pesquisa realizada pela SaferCar indica que os airbags frontais salvaram 25.782 vidas entre 1987 e 2008 nos Estados Unidos, confirmando a extrema importância e serventia desses equipamentos suplementares de segurança passiva nos veículos.

Os airbags frontais atenuam o impacto do condutor e passageiro dianteiro contra componentes internos do veículo no momento de uma colisão frontal grave, podendo insuflar até mesmo se esta colisão ocorrer em apenas um dos lados dianteiro do veículo