Capítulo 2: Códigos de avarias OBD II e Lâmpada MIL

Por: Redação
Diagrama de blocos de funcionamento de um sistema de gerenciamento. As linhas indicadas com asterisco sinalizam retorno de diagnóstico (feedback) para o circuito de processamento

Diagrama de blocos de funcionamento de um sistema de gerenciamento. As linhas indicadas com asterisco sinalizam retorno de diagnóstico (feedback) para o circuito de processamento

Isto foi possível graças à arquitetura eletrônica. Atualmente é inquestionável que as funções básicas de um veículo dependam cada vez mais da eletrônica embarcada. Este fato auxilia na obtenção das funções de autodiagnóstico que, associado aos protocolos de comunicação padronizados pela ISO com códigos de avarias padronizados pela SAE (Society of Automotive Engineers – Sociedade dos Engenheiros Automotivos), bastou acrescentar ao software de funcionamento do veículo uma estratégia de autodiagnóstico. Esta, logicamente, tem como base a eletrônica já instalada no veículo, que compõem os clássicos sinais de entrada emitidos por sensores, processamento pela unidade de comando que encaminha os sinais de saída para adequar o regime de trabalho por meio dos atuadores.

Os sensores são os sinais de entrada e são componentes que fazem medições de grandezas físicas, posição, status de trabalho (ligado ou desligado) e ocorrências como detonação ou qualidade da mistura. Por exemplo: para as grandezas físicas, temos a pressão atmosférica, pressão no coletor, temperatura do ar e do motor e rotação de trabalho. Para representar um sinal de posição, temos o sinal da posição da borboleta. Neste caso, a posição angular da válvula borboleta é convertida em sinal elétrico para a unidade de comando.

Como status de trabalho temos como exemplo o ar condicionado ativado, carga da direção hidráulica em baixas velocidades, interruptor de embreagem, interruptor do freio, etc. Em geral estes sinais sinalizam status de trabalho de sistemas que utilizam a potência do motor ou que modificam o regime de uso para estarem em funcionamento exigindo carga adicional a ser compensada pelo sistema de gerenciamento.

Como exemplo de ocorrências temos as informações do sensor de detonação e da sonda lambda. Estes sinais exigirão providências diferenciadas da unidade de comando mesmo considerando o mesmo regime de trabalho. Um sinal de detonação, por exemplo, significa a necessidade de reduzir um avanço de ignição mesmo que a carga solicitada esteja exigindo um avanço de ignição adicional.

A estratégia usada pelo sistema OBD II para detectar e diagnosticar falhas consiste na execução de testes no circuito dos componentes do sistema de gerenciamento monitorando as seguintes falhas: curto circuito ao positivo; curto circuito ao negativo; circuito aberto e plausibilidade do sinal. Se uma falha é detectada por quaisquer destes testes, um código de defeito é copiado do banco de dados que monitora o componente, ou sistema com funcionamento irregular e armazenado num outro banco de dados conhecido como memória de avarias. Se a falha influenciar no aumento das emissões de poluentes imediatamente também é enviado um sinal para os sistemas de drive control (controle da dirigibilidade), que sinaliza visualmente o motorista pelo instrumento correspondente. Este sinal luminoso é conhecido como lâmpada MIL (Malfunction Indicator Lamp – Lâmpada Indicadora de Mal Funcionamento).

Lâmpada MIL de um Golf. As definições de cor e simbologia atendem a norma ISO 2575 (ISO – International Organization for Standardization – Organização Internacional de Padrões)

Lâmpada MIL de um Golf. As definições de cor e simbologia atendem a norma ISO 2575 (ISO – International Organization for Standardization – Organização Internacional de Padrões)

Em condições normais esta lâmpada deve acender ao ligar a ignição e se apagar assim que o motor entrar em funcionamento. Quando existe alguma avaria que influencie nas emissões, esta lâmpada ficará acesa enquanto a avaria não for corrigida e a memória de avarias limpa. Caso a avaria possa causar danos ao catalisador, esta lâmpada piscará na frequên­cia de uma vez a cada segundo.

Os códigos de avarias ou de falhas são oriundos de uma tabela normalizada pela SAE chamada DTC (Diagnostic Trouble Code – Código de Diagnóstico das Falhas) e são compostos por uma letra e uma sequência numérica. No exemplo capturado de um sistema de injeção ME7.5.10 de um Polo 2.0l, o código P0304 refere-se a uma falha de ignição no cilindro 4. A letra que inicia o código sinaliza o sistema fonte que originou a avaria. Veja:

Os códigos indicados pelos scanners atendem padrões internacionais. Nos casos apontados lidos num sistema de injeção ME7.5.10 de um Polo 2.0l, o código P0304 refere-se a uma falha de ignição, neste caso, no quarto cilindro

Os códigos indicados pelos scanners atendem padrões internacionais. Nos casos apontados lidos num sistema de injeção ME7.5.10 de um Polo 2.0l, o código P0304 refere-se a uma falha de ignição, neste caso, no quarto cilindro

 

Letra

Valor Binário

Significado

P

00

Motor e Transmissão (Powertrain)

C

01

Chassi (Chassis Components)

B

10

Corpo ou Carroçaria (Body)

O primeiro dígito numérico após o caractere do alfabeto (um número de 0 a 3) indica a entidade responsável pela criação do código. Ou seja, por meio deste dígito é possível saber se o código em questão é comum a todos os fabricantes (ISO ou SAE), ou se é um código específico do fabricante. Os possíveis valores deste código para motor são os seguintes:

 

Valor

Entidade Responsável

0

ISO ou SAE

1

Fabricante

2

ISO ou SAE

O terceiro caractere (segundo valor numérico) refere-se ao subgrupo de funções do veículo, sendo:

Valor

Descrição

0

Sistema eletrônico completo

1

Controle de ar e combustível

2

Controle de ar e combustível; Circuito de injeção

3

Sistema de Ignição

4

Controle auxiliar de emissões

5

Controle da velocidade do veículo e da rotação de marcha lenta

6

Circuitos de entrada e saída da unidade de comando

7

Transmissão

Por fim, o quarto e quinto dígitos referem-se à falha específica no seu referido subgrupo normalmente atribuída ao componente ou circuito com a falha. Veja alguns exemplos de códigos DTC e suas falhas correspondentes.

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Tabela de falhas do sistema de gerenciamento eletrônico 1AV que equipou a linha de motores 1.0 l de 16 válvulas do Gol e da Parati