Você sabe como nasce um carro?

Produto especial é usado pela área de design da Volkswagen na hora de criar modelos de carros

Por: Redação

Veículo com massa Clay

A criação de um novo carro passa por muitos processos antes de ir para as ruas. Um dos processos em que são testadas as formas do veículo são feitos por uma massa especial, chamada de Clay, bastante difundida e usada na indústria automotiva.

A massa Clay é um produto composto por argila, enxofre e parafina. Quando aquecida, a massa tem a consistência de ‘massa de modelar escolar’, daquelas que compramos para nossos filhos. Fria, a consistência é parecida com a cera de velas votivas.

A preservação do produto é feita em fornos especiais no espaço reservado para a criação de modelos na área de design da Volkswagen. Os fornos elétricos mantêm a massa aquecida a 60 graus para que possa ser aplicada nos modelos a serem esculpidos. Dependendo do forno, para ficar no ponto certo de trabalho, o produto embalado fica até oito horas no aquecimento.

Para a construção de um modelo em Clay, a equipe de modeladores de estilo da montadora constrói uma estrutura matematicamente calculada em madeira e isopor, que receberá uma camada de aproximadamente 30 milímetros de espessura do Clay. Essa ‘maquete’ é feita em uma escala 1 por 4, ou seja, um tamanho pequeno. “Após a aprovação dessa maquete, usinamos um modelo em escala real, também em massa clay, sobre uma estrutura construída em aço, madeira e espuma de poliestireno”, explica Edney Eboli dos Santos, do departamento de design da Volkswagen.

Parte interna do veículo também é revestida em massa Clay

Segundo Edney, nessa fase o trabalho é meticuloso e conta com a ajuda de sofisticados softwares, específicos para criação de modelos automobilísticos. A estrutura em escala real recebe uma fina camada de massa Clay com aproximadamente 50 milímetros de espessura. O modelo em escala real (1 por 1) tem diversas finalidades. “Utilizamos para testes em túnel de vento e especialmente para refino da escultura em termos de superfícies, linhas, volumes e sombras. Este modelo também é utilizado para a certificação e aprovação final do shape do produto”, explica.

Os profissionais trabalham com ferramentas específicas, como lâminas especiais para acabamento. “O trabalho é minucioso. O trabalho do modelador de clay equipara-se ao de um habilidoso escultor, interpretando desenhos e trazendo ao tridimensional o conceito que o designer criou em desenhos bidimensionais ”, ressalta Edney.

O processo de acabamento pode ser feito de duas formas. Na primeira, o carro em clay é envelopado com uma película plástica, que mostra como o carro vai ficar pintado. “Esse procedimento permite uma boa visualização do modelo e possibilita a fácil remoção da película para modificações no modelo. É muito utilizado nas primeiras fases do projeto em que o modelo ainda sofre várias alterações”, ressalta Edney.

No outro procedimento, tanto as maquetes como os modelos em escala real recebem uma pintura. Primeiramente é aplicada uma resina base com pistola de pintura, trazendo resistência superficial ao modelo de clay. Após um trabalho de acabamento e funilaria sobre esta resina, aplica-se tinta automotiva também com pistola de pintura. “Geralmente utilizamos esta técnica nos modelos de aprovação final”, comenta o Designer.

O ambiente em que os modelos em Clay são construídos fica diariamente a 20 graus, o que garante a estabilidade do material. Alguns modelos são enviados à Alemanha, para testes no túnel de vento da montadora. “Os modelos em clay em tamanho real são envidados para a Alemanha para serem testados em túnel de vento, importante fase do projeto em que são avaliadas características aerodinâmicas e acústicas do veículo quando em movimento. Se algum problema for detectado no túnel de vento, a massa Clay possibilita alterações na hora. A versatilidade desse material é um dos grandes aliados no processo de design de um veículo”, disse Edney.