Sensor de Rotação do Motor “Diagnóstico” – Parte 1

Por: Redação

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Na edição passada, vimos co­mo funciona o sensor de rotação do motor G28, que é um compo­nente de vital importância do sis­tema de injeção eletrônica de combustível.

Nesta edição, vamos entender detalhadamente como diagnosticar o sensor de rotação do motor G28, e constatar a correta posição do sensor de rotação à árvore de manivelas do motor.

Com o sinal deste sensor a UCM calcula a rotação instantânea do motor e a posição da árvore de manivelas e, de posse destas informações efetua o cálculo da massa de ar admitida determinando o avanço da ignição.

O sensor de rotação de efeito Hall nos veículos Volkswagen está fixado à árvore de manivelas em uma posição pré-definida.

Principio de geração do sinal de rotação

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A roda geradora de impulsos possui 60 dentes com uma falha equivalente a um intervalo de 2 dentes. Esta falha é utilizada pela unidade de controle do motor como referência para a posição da árvore de manivelas em relação à posição de cada cilindro dentro do circuito de quatro tempos do motor.

Como já dissemos, o PMS (ponto morto superior) dos cilindros 1 e 4 encontra-se no 14° dente após a falha dos 2 dentes passar pelo sensor G28, enquanto que o PMS dos cilindros 2 e 3 encontra se no 44º dente.

Dissemos também que uma volta completa da roda dentada geradora de impulsos equivale a 360º.

Ao dividirmos 360º, pelo número de dentes da roda geradora de impulsos igual a 60 dentes concluímos que o intervalo entre dentes equivale a 6º.

Sendo assim, a falha de dois dentes ao passar pelo sensor G28 mostra que tanto o primeiro como o quarto cilindros estão à 84º antes do PMS, e isto é necessário para que a unidade de controle do motor possa calcular com antecedência a curva de avanço da ignição e se necessário determinar o momento da injeção.

A roda geradora de impulsos possui posição de fixação definida e, caso seja montada errada, pode ocasionar falhas no motor ou até mesmo danificá-lo. Por isso, é essencial o uso da ferramenta T10017 para montar o flange de vedação, já mostrada em outras edições, pois esta ferramenta posiciona a roda geradora de impulsos em relação à árvore de manivelas.

Diagnóstico

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Para se produzir um bom diagnóstico é necessário utilizar um osciloscópio. Assim, será possível determinar o momento da ignição em tempo real em vários regimes do motor sem a necessidade de desmontar componentes.

Sem o recurso do osciloscópio só será possível determinar a posição da roda geradora de impulsos em relação á árvore de manivelas de forma estática posicionando a marca de referência da engrenagem da árvore de manivelas com a indicação no bloco do motor elevando o primeiro cilindro em PMS (figura 3).

Neste caso a marca de referência da roda geradora de impulso deve sincronizar-se com a marca de referência do flange (figura 4).

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Para isso será necessário remover as tampas da correia dentada, a transmissão, a embreagem e o volante do motor. Mesmo assim corre-se o risco de do erro de paralaxe.

A verificação com o osciloscópio se dá da seguinte forma:

Conecte o cabo positivo do osciloscópio no pino 53 da unidade do motor, ou utilize um VAG 1598/22 para capturar o sinal do sensor de rotação G28, e conecte o cabo massa do osciloscópio ao negativo da bateria.

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Conecte a pinça TRIGGER do osciloscópio ao cabo de ignição do primeiro cilindro, ajuste a tela do osciloscópio para 2,0 Volts por divisão e 5,0 milissegundos por divisão. Observe a referência do sinal TRIGGER na tela do osciloscópio (figura 6), por estar conectado ao cabo de ignição do primeiro cilindro, o sinal na tela ocorre exatamente no tempo em que ocorre a ignição do primeiro cilindro, e a coincidência deste sinal com os sinais do G28 ocorre próximo ao 14º dente depois da falha.

Foto 6

Levando-se em conta que o intervalo entre dentes corresponde a 6°, observamos uma curva de ignição de aproximadamente 4º antes do PMS do primeiro cilindro, o que pode ser comprovado com o bloco de valores canal 3, campo “D”.

É importante lembrar que a curva de avanço da ignição é determinada pela unidade de controle do motor, portanto, um pequeno avanço ou atraso em marcha lenta não representa erros de posição do sensor à árvore de manivelas.

No exemplo seguinte observamos um sinal do sensor de rotação G28 indutivo sobrepondo-se ao sinal de ignição do primeiro cilindro.

Para capturar estes sinais repita os passos de conexão do exemplo anterior e conecte o cabo KV do osciloscópio ao cabo de ignição do primeiro cilindro de modo a visualizar o sinal do secundário da ignição. Ajuste a tela do osciloscópio em 2,0 ou 5,0 Volts por divisão e 5,0 milissegundos por divisão.

Sobreponha o sinal do secundário ao sinal do sensor de rotação G28 de modo a coincidir os sinais e analise em qual dente ocorre à ignição.

Conforme a figura 7, observamos que a ignição ocorre no décimo terceiro dente, ou seja, indicando um avanço de ignição de 6°.

Foto 7

No sinal do sensor de rotação G28 podemos observar: a integridade do sinal, o momento da ignição e sua correspondência no bloco de valores, e a posição do sensor em relação à árvore de manivelas.

Na próxima edição veremos o sincronismo do sensor de rotação com o sensor de fase.